27 de maro de 2018 às 02:00

Pastora trans vê na igreja um refúgio e leciona para combater o preconceito

"Deus é trans, Deus é travesti, Deus é lésbica, Deus é negro, Deus é índio." A frase pode ser ouvida no púlpito de Alexya Salvador, professora da rede pública, costureira e pastora de uma igreja que abraça a diversidade, no centro de São Paulo.

"Deus é trans, Deus é travesti, Deus é lésbica, Deus é negro, Deus é índio." A frase pode ser ouvida no púlpito de Alexya Salvador, professora da rede pública, costureira e pastora de uma igreja que abraça a diversidade, no centro de São Paulo.

Alexya afirma que teve Deus no coração durante os 37 anos de sua vida. Nasceu numa família católica e foi identificada como do sexo masculino durante a infância e a adolescência. "Eu era o viadinho da turma, embora eu tivesse quase dois metros de altura. Apanhava de todo mundo."

A igreja era um refúgio para ela. Tanto que foi para o seminário, onde quase se ordenou padre, mas desistiu às portas de se formar. No entanto, levou outras formações adiante. Fez letras e pedagogia. Em 2017, se formou em teologia. "Ensinar é um chamado."

Aos 22 anos, se deu conta de que era mulher. Mas foi apenas aos 31, em 3 de outubro de 2011, que decidiu fazer a transição de gênero.

Hoje, é a única professora transexual da escola pública de uma região erma de Mairiporã, epicentro da epidemia de febre amarela no país. "Só eu conheço 30 pessoas que morreram." Ela está vacinada, bem como o marido com quem está há oito anos e os dois filhos que adotou: Gabriel Lucas, 12, e Ana Maria, 11.

6h Acorda e ora.

7h Leva as crianças para a escola. "Você pensa que está pronta para a maternidade, mas sua vida muda. Se expande tanto"

7h15 Começa a fazer roupas e acessórios no ateliê que fica nos fundos da casa. "Meu sonho é empregar outras trans em uma marca"

11h15 Prepara o almoço da família. A filha foi adotada em 2016, e batizada com o nome da avó. "A Ana é transexual, como eu. Uma juíza do Nordeste viu o caso dela e me procurou. Foi um encontro divino."

12h Busca as crianças na escola. "No ano que vem eles vão começar a estudar no colégio em que leciono"

12h10 Enquanto as crianças almoçam, toma banho

13h Começa a dar aula. "Arrasou no cabelo, bebê", diz para uma aluna que tingiu as pontas de vermelho

14h Analisa um poema e ensina o que é sujeito oculto para uma turma de sétimo ano

14h40 No recreio, confere suas redes sociais. "Recebo ameaças de morte toda semana. Eu sou uma transgressora de gênero, e por isso sou considerada uma desertora. Acham que devo ser punida"

15h Aos domingos, vai para a Igreja da Comunidade Metropolitana, em Santa Cecília. "Como peguei muitas aulas, só consigo ir aos domingos"

Fonte: FOLHA

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