11 de julho de 2018 às 18:16

Ribeirão Preto confirma primeiro caso de sarampo em dez anos

A Prefeitura de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) confirmou o primeiro caso de sarampo registrado em dez anos na cidade. É o segundo registro da doença no estado, ambos importados.

A Prefeitura de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) confirmou o primeiro caso de sarampo registrado em dez anos na cidade. É o segundo registro da doença no estado, ambos importados.

De acordo com a Secretaria da Saúde de Ribeirão Preto, a paciente é uma médica de Dracena (a 630 km de São Paulo), que passou mal na cidade após retornar do Líbano.

Ela estava em Ribeirão para visitar a mãe, que estava internada, quando buscou atendimento e foi isolada num hospital da cidade. Após ter alta médica, voltou para Dracena. O caso, divulgado agora, ocorreu em abril.

Em junho, um morador do Rio de Janeiro foi diagnosticado com a doença quando estava em São Paulo, segundo Regiane de Paula, diretora do CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica), órgão da Secretaria da Saúde estadual.

De acordo com ela, todas as medidas necessárias foram adotadas e, nos dois casos, o quadro de saúde dos pacientes evoluiu bem. “Temos esses dois casos, mas ambos importados. Não temos circulação endêmica [no estado] desde o ano 2000”, afirmou.

O estado divulgou alerta em junho para o risco da volta do vírus após o retorno de torcedores que foram para a Copa do Mundo da Rússia.

“Alertamos quem iria viajar pois sabíamos da circulação de casos e a orientação foi que vacinassem 15 dias antes da viagem. Agora temos de acompanhar para ver se não têm febre [na volta]. Mas não é algo que esteja nos preocupando. Importante é ter calma, sem alarde. A situação é mais gritante no Norte do país”, disse.

A Prefeitura de Ribeirão informou que foi feito o bloqueio na região em que o caso foi registrado e que a cobertura vacinal da cidade atinge as metas do Ministério da Saúde.

A divulgação dos casos ocorre num momento em que registros têm surgido em outros locais do país e se proliferado principalmente em Roraima e Amazonas.

Nesta segunda-feira (9), dois casos da doença foram confirmados na cidade do Rio de Janeiro, o que indica que há risco de o surto chegar ao estado, pois a doença é altamente contagiosa.

As pacientes são estudantes da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e não viajaram para locais que vêm registrando alta incidência da doença.

Ambas haviam tomado as duas doses necessárias da vacina contra sarampo, razão pela qual a avaliação inicial da Secretaria da Saúde do Rio é que tenha ocorrido uma falha vacinal â?"ou seja, que elas façam parte de uma minoria de pessoas em que a vacina não gera imunidade.

O Rio não registrava casos autóctones â?"?contraídos no próprio localâ?"? ??havia 18 anos.

Nesta quarta-feira (11), a Fehoesp (Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo) iniciou campanha de alerta aos 56.224 serviços privados de saúde no estado, entre eles 511 hospitais e 36.815 clínicas, para o diagnóstico rápido e preciso do sarampo.

“Os médicos mais novos não conhecem as doenças erradicadas há muitos anos no país. Daí a importância do alerta”, disse, por meio de sua assessoria, o médico Luiz Fernando Ferrari Neto, diretor da Fehoesp.

Em Roraima, já foram confirmados neste ano 216 casos da doença, a maioria deles em venezuelanos, segundo a Secretaria da Saúde do estado. No Amazonas, o total de casos passa de 300.

Do total de casos confirmados em Roraima, 142 são de venezuelanos que cruzaram a fronteira devido à crise enfrentada pelo país vizinho. Desses, 78 são indígenas.

“Depois de oferecer vacinas nos postos e de buscar pessoas em locais estratégicos, como fábricas e fazendas, iniciamos a terceira fase da campanha, que é casa a casa, um pente-fino mesmo”, afirmou Daniela Palha Souza Campos, coordenadora da Vigilância em Saúde estadual.

Há ainda 160 casos suspeitos em investigação no estado. Os agentes comunitários de saúde estão batendo de porta em porta verificando os cartões de vacina dos moradores e, em caso de a pessoa não ter sido imunizada, é vacinada na hora.

“Posso até vacinar 100% dos roraimenses e quem está aqui, mas tem a questão dos imigrantes. Estimamos que entrem de 700 a 1.000 pessoas por dia [na fronteira]. Se não tiver uma barreira de contenção, nunca vai parar de ter casos”, disse a coordenadora.

Fonte: FOLHA

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